Gone to...

sexta-feira, 4 de março de 2011

A espera

A espera...ora aí está uma arte que nunca é tarde para aprender e pôr em prática.
Mas atenção, não é uma arte que quanto mais se põe em prática mais fácil se vai tornando com o tempo. Nada disso, é uma arte sempre muito morosa e quase sempre eterna no que diz respeito ao tempo de uso de tal engenho, aliás enquanto estamos a praticar a espera surge muitas vezes o pensamento 'Nunca mais...'
'Nunca mais é sábado', ou 'Nunca mais passa' ou mesmo 'Nunca mais se vai embora' etc. É sempre quase na sua maioria uma grande chatice e um verdadeiro teste à nossa paciência.
Como diz uma amiga minha calma para não chutar ' o pau da barraca'!!!
Nestas últimas semanas tenho verificado o grau de dificuldade desta prática, seria espectável uma leve diminuição do grau de intensidade, mas cada dia que passa, parece que se torna cada vez mais pesada e insuportável.
Espero a cessação de algo que me está a incomodar cada vez mais! E quanto mais espero...mais desespero.
Pois é, é nestas alturas que a espera devia vir acompanhada de um suplemento que a tornasse mais eficaz, assim como quando estamos a tomar um antibiótico e a infecção não passa... penincilina em cima,ora pronto, assunto arrumado e alegria no cozinhado da semana!
Todos ficam felizes e o círculo de seres em volta agradeçe, é verdade.
Agora pergunto eu: Onde está a 'penincilina' em alternativa à espera interminável, sim onde está!?
Ou não evoluímos grande coisa como espécie e sinceramente continuamos uns primitivos em relação à gestão do nosso emocional, ou de facto não há evolução possível e estamos condenados até ao último ser humano em sermos mártires da nossa própria estupidificação emocional.
Não haverá mesmo nada a fazer? Bom na verdade há...continuo à espera enquanto não aparecer outro 'remédio', e continuarei assim até ao fim da minha parca existência.
Espero sim, mas sempre, sempre com esperança que apareça a 'penincilina' para esperas infernais e desmoronáveis.
A verdade é que me estou a partir aos pedaços, mas...haverá alternativa!?

quarta-feira, 16 de fevereiro de 2011

Assim...tão perto de mim

Já é de manhã, já passou mais um dia.
Ainda é de noite e como se grita...Já Amanhecia!
Ando, suspiro, soluço e confundo-me na madrugada do novo dia que está prestes a romper.
Que traga ânimo este novo dia, que traga sensatez este mesmo sol, que te traga mais para perto de mim hoje, amanhã e depois!
E eis que chegas, e eis que foste, eis que me castigo sem entender porquê...sem querer entender porquê.
Ceguei-me mais uma vez com a venda do sonhar, tapei-me com o véu do desejar e sem querer perdeste-me, não me viste, viste outrém...não era eu, não sou eu.
Não grites mais por dentro, já fui! E fui com o penar de uma enorme insensatez que tão gentilmente pousámos em minhas mãos, que tão cruelmente me desconjunta e me culpa...eu me culpo!
Mas é de noite, e como suporte a este novo estado que me etiqueta, lembro!
Lembro-te!
Decorei-te...és tu, assim tão perto de mim!
Cerro os olhos e quase vivencio tudo mais uma vez, solto-me e deixo-me ficar para lá dos princípios, para lá do invisível grilhete, para lá do silêncio e para lá da realidade que está prestes a acordar-me com o grito de mais um amanhecer...quero ficar mais um pouco, quero desmaiar de novo nesta impossível mas tão acalentada realidade e só quero acordar quando o desejo se esvaneçer em lágrimas de desgosto para que não mais volte a acontecer.
Sorrio louca, sorrio pois bem sei o quão improvável é, deixar de sentir, de sonhar e rir contigo, de andar no mundo contigo, de beber cada palavra tua e explodir de extrema e sincera alegria em cada olhar teu, em cada gargalhada tua...mexes comigo, Porquê mexes comigo?!Mas por favor não me confundas, não me julgues...não admito.
Respeito-te...oh céus como te respeito, e te admiro, e por isso, continuo, e por isso luto estóicamente e inquebrantávelmente todos os dias, para de que de nada te apercebas, de que de nada de mim te preocupe, de que de nada de mim te afecte.
E a amizade e o carinho!? Esses dois, hah, esses dois falam tão alto, mas tão alto que ensurdecem o meu coração para que este continue assim baixinho, baixinho só para mim. E é aqui dentro que te vou guardar, só para te poder lembrar, só para te poder chorar, só para te poder sonhar, só para te poder ter assim...tão perto de mim!
NDM


Voei, para te dizer
Sonhei para te esqueçer
Donna Maria

segunda-feira, 31 de janeiro de 2011

sexta-feira, 28 de janeiro de 2011

Dois Lados do Mesmo Adeus

Caem como folhas
Lágrimas no seu rosto
Suavemente descem
Deixam-lhe o desgosto

Entre dois suspiros
Sopro-lhe na face sem favor
Abre-se a janela
Tenta um disfarce

Aperta-me a mão
Ri por um instante
Deixo-me ficar
Deixo-me ficar

Nunca quis saber nunca quis acreditar
Que tu irias partir não podias cá ficar
nunca quis escutar muito menos quis ouvir
O teu silêncio que avisava a intenção de não voltar
Podes crer
Bem que me disseram para nunca me agarrar a uma pessoa a um lugar
Podes crer
Se um homem nunca chora para que servem estes olhos se não podem mais te ver
Queria ver queria saber
O que fazias tu que estás aqui a observar
Tás a ver tás a perceber
Pode ser que um dia a gente volte a se encontrar
Agora embora, agora sem demora
Deixa-me ficar aqui sozinho p’ra pensar
Embora agora que a minha alma chora
Como disse alguém
Vou-me perder para me encontrar

Esse choro triste
Desespero seu
P’ra tentar dizer
Nada se perdeu

Pede-me que fique mais
Por um segundo eterno
Como se quisesse ter
O meu beijo terno

Aperta-me a mão
Ri por um instante
Deixo-me ficar
Só por esse instante

Donna Maria

quinta-feira, 27 de janeiro de 2011

Se apenas eu soubesse...

Descontrói-se-me toda uma realidade.
Desmorona-se toda a minha invencibilidade.
Prescruto, e mergulho cada vez mais na imensidão de uma ilusão que jamais virá à luz de um qualquer outro dia. Desço a escada da tristeza e da amargura com o penar de uma imensa insensatez. Mas como qualquer ser humano, alimento-me deste sentimento viscoso que inunda e infecta todo o meu ser. E continuo a viver, sonhando com o impossível, querendo o inalcançável e luto o dia-a-dia cega pela venda do sonhar, luto e espero, luto e desespero.
Oh este coração, podia jurar que era mudo, mas acho que me fala tão baixo que preciso escutá-lo com mais atenção! Se este mundo não fosse o meu, seguia-o até ao fim dos tempos, mas como este é o mundo que me sustenta, com uma realidade que me alimenta de hipocrisia e cobardia, não, não o posso fazer.
Se apenas eu soubesse que também o querias...

quarta-feira, 24 de novembro de 2010

'Aparição'

Mas o que sei é que o homem deve construir o seu reino, achar o seu lugar na verdade da vida, da terra, dos astros, o que sei é que a morte não deve ter razão contra a vida nem os deuses voltar a tê-la contra os homens, o que sei é que esta evidência inicial nos espera no fim de todas as conquistas para que o ciclo se feche (...) Não me pergunteis como consegui-lo, não me pergunteis. O que é evidente aparece. Mas nestas noites de insónia em que me vou perscrutando neste esforço natural como o da terra, em que me vou revelando, eu pude ver, em instantes de fulgor, o que me era, o que me cumpria, o destino que me gravara. E ver é já conquistar, possuir.
Vergílio Ferreira em 'aparição'

quarta-feira, 13 de outubro de 2010

Reconstrução


Hoje olhei o mundo, olhei com os olhos de outrora, e vi um mundo de outras eras.

Hoje senti o mundo com a paz de outro ser, com a essência de outra alma e com o brilho de um passado perdido, mas que lentamente retorna ao seu âmago.

Hoje falei ao mundo com a voz de civilizações adormecidas, perdidas no tempo e esqueçidas nas memórias do futuro.

Hoje renasço mais pouco, e aos poucos vou-me reconstruindo, vou-me regenerando com a força, garra, determinação e grandiosidade que tão gentilmente voltaram a preencher as minhas veias e percorrem todo o meu corpo e todo o meu ser grita tudo aquilo que sou e para tudo aquilo fui feita.

Hoje, voltei a sonhar com o infinito, o impossível e o improvável, mas só assim seremos homens e só assim seremos imortais.
Hoje acordei para poder voltar a sonhar com tudo aquilo que os meus pensamentos e imaginação acabaram de criar.

sábado, 9 de outubro de 2010

Monólogo dos deuses

Não faz mal...eu espero, afinal atravessei galáxias, vi o mundo morrer e nascer tantas vezes que já não sei.
Ficarei adormecida até que não se lembrem mais de mim, e quando o mundo pensar que desapareci, então renascerei, e farei...e sê-lo-ei, e depois aperceberes-te-ás que toda a tua angústia e infelicidade poderia ter sido apaziguada se não me tivesses feito esperar tantos milénios. Mas não faz mal,
Eu Espero!